ࡱ> z|yYB|bjbjWW==Bx]DDDDDDDXXXXXlXLLLLLLLL{}}}}}}$l`DLLLLL2DDLLL222LDLDL{XXDDDDL{2h2 DD{LLskXX2c Uma Abordagem Sobre o Programa Sade da Famlia - PSF ALEXSANDER CORREIA DA CUNHA Rio de Janeiro 2003 Uma Abordagem Sobre o Programa Sade da Famlia - PFS ALEXSANDER CORREIA DA CUNHA Trabalho apresentado como avaliao do mdulo Ecologia, Sade e Sociedade, do curso de especializao em Sade Pblica da universidade estcio de S. D-me uma alavanca longa o bastante... E . Com uma das mos moverei o mundo. Arquimedes SUMRIO INTRODUO 05 I. Programa Sade da Famlia 08 I.1. Breve Histrico 08 I.2. Origem e polticas institucionais 09 I.3. Princpios Bsicos 11 I.4. Competncia das Esferas do Governo 12 I.5. Como Funciona 12 I.6. Inplantao 16 II. MOVIMENTOS SOCIAIS 17 II.1. Definio 17 II.2. Importncia para o Programa Sade da Famlia 17 III. AES RELACIONAIS 19 III.1. Mudana do paradigma de Sade Pblica 19 III.2. Aprendizado Contnuo 20 CONCLUSO 21 REFERNCIA BIBLIOGRFICA 22 INTRODUO A humanidade, sofreu rpidas e profundas transformaes sociais, polticas, econmicas e culturais na segunda metade do sculo XX. As principais mudanas decorreram das crises que acometeram a economia mundial. Decorrente das crises que ocorreram instalada uma nova ordem mundial, inspirada no neoliberalismo onde o Estado reduz sua participao na economia, os pases de economia capitalista ento instituem o Estado Mnimo (falncia do estado de bem-estar social), afim de conter a crise fiscal do Estado. Com a economia, assim por se dizer livre, das mos da iniciativa pblica, o mundo capitalista vive ento uma fase urea que se caracteriza pela globalizao da economia, a internacionalizao dos processos de produo, distribuio e consumo (transnacionalizao empresarial, desterritorializao da fora de trabalho, entre outras) e o avano da tecnologia de informao. Embora a riqueza aumente para alguns, crescem tambm a desigualdade, a deteriorao do meio ambiente e a fragmentao social (SENGER, 1998 p.11). Nas ltimas dcadas a crise no setor pblico e o aumento da desigualdade levaram uma fragilidade na eficincia e eficcia da gesto das polticas sociais e econmicas, gerando um delito contra os direitos constitucionalmente adquiridos. A sade no fica fora, e medidas so instauradas afim de controlar a crise que o setor passa nos anos 80, reforma sanitria e a criao do SUS (Sistema nico de Sade) com base nas atenes bsicas, que so aes de carter individual ou coletivo, voltadas para o desenvolvimento de atividades de promoo, proteo e recuperao de sade, centrado na qualidade de vida das pessoas e de seu meio ambiente, so instauradas. A constituio de 1988, apresenta uma face descentralizadora, na rea da sade a legislao ento cria e regulamenta o Sistema nico de Sade (SUS), constituindo a descentralizao de estratgias para a viabilizao dos seguintes preceitos: Universalidade - acesso aos servios de sade para toda populao; Equidade - Igualdade na assistncia sade; Integralidade - Conjunto de aes e servios preventivos e curativos, individuais e coletivos; Humanizao do atendimento (participao) - responsabilizao entre os servios de sade e a comunidade. A municipalizao da sade, passo da descentralizao, define a forma de organizao e gesto dos servios, que so regionalizados e hierarquizados, em cada esfera de governo, afim de atingir as necessidades especficas (acesso aos servios e a disponibilidade das aes dos meios para o atendimento integral) . Desde a implantao do SUS, o Ministrio da Sade no conseguiu alcanar nveis de qualidade de vida e erradicaes de doenas, devido aos seguintes obstculos: O Brasil, possui milhares de municpios pequenos demais para gerirem, um sistema de sade completo, que seja capaz de oferecer aes de sade de todos os nveis de complexidade. Qualquer soluo para esses problemas no pode passar por restries burocrticas de acesso, para garantir a universalidade e a integralidade do SUS; Diviso de responsabilidades entre estados e municpios, diviso essa que prejudica a organizao do sistema e fragiliza o comando efetivamente pblico do gestor sobre o sistema e a subordinao dos prestadores de servio s necessidades de sade identificadas pelos gestores, gerando conflitos. Financiamento do sistema: utilizao de recursos financeiros que nem sempre so compatveis com o perfil de necessidades da populao. No mbito dos estados, os critrios adotados para a distribuio de recursos entre os municpios em geral so pouco explcitos. Resolutividade e acesso aos servios: a atual configurao do elenco de procedimentos includos na ateno bsica restrita, apresentando baixa capacidade de resoluo dos problemas mais freqentes dos usurios. Ocorrem tambm dificuldades de acesso assistncia de mdia e de alta complexidade, devido a enorme concentrao desses servios em poucos municpios, prescisando da utilizao de mecanismos de comunicao/intercmbio entre as distintas unidades de sade e rgos gestores,dentre outros. O modelo atual de ateno a sade, tambm pode ser considerado um obstculo, caracterizado na relao individualizada entre o profissional e o paciente, na interveno teraputica armada (cirrgica ou medicamentosa) especfica, em face disso, faz-se necessrio a criao de um modelo de ateno centrado na qualidade de vida das pessoas e do seu meio ambiente, bem como na relao da equipe de sade com a comunidade, especialmente, com os seus ncleos sociais primrios - as famlias. Essa prtica, inclusive, favorece e impulsiona as mudanas globais, intersetoriais. Dessa viso surge em 1994 o Programa de Sade da Famlia, visando as aes de ateno bsica sade, apresentando uma viso localizada e focalizada do nveis de sade de um comunidade, incorporando e (re)afirmando os princpios bsicos do SUS. I. PROGRAMA SADE DA FAMLIA I.1. Breve Histrico PERODOPROCESSOSRESULTADOS(Pr-1993) Impeachment de Collor.Criao do PACS (Programa Agente Comunitrio da Sade) (1991); Formulao do PSF (Programa Sade da Famlia) (1993).Difuso da idia do PACS.(1993)Governo Itamar - Jamil Hadad no MS (Ministrio da Sade).Reestruturao do MS; Financiamento convenial do PACS.Iniciaticas locais.(1994) Governo Itamar, Plano Real - Henrique Santilo no MS.Lanamento oficial do PSF.Pouco palpveis.(1995)Governo Fernando Henrique Cardoso - Adib Jatene no MS.PSF em funcionamento.724 equipes e 2,5 milhes de pessoas assistidas.(1996)Governo FHC - Adib Jatene no MS.Primeiras Medidas normativas qualificadoras do PSF.847 equipes e 2,9 milhes de pessoas assistidas.(1997)Governo FHC - Carlos Albuquerque no MS.Fuso do PACS-PSF; Criao dos plos de capacitao.Incio da expanso do PSF, 1.623 equipes e 5,6 milhes de pessoas assistidas.Governo FHC, ano final - Jos Serra no MS.Qualificao do PSF; Pesquisa Nacional da implantao do PSF; Pesquisa Nacional do perfil dos mdicos e enfermeiros do PSF; 1 Seminrio Internacional de Sade da Famlia. 3.083 equipes e 10 milhes de pessoas assistidas.(1999)PERODOPROCESSOSRESULTADOSGoverno FHC, segundo mandato - Jos Serra no MS.Primeiro esforo de avaliao do PSF; Mostra de experincias em SF.7.254 equipes e 14,7 milhes de pessoas assistidas.(2000)Governo FHC, segundo mandato - Jos Serra no MS.1 Reunio Nacional dos Plos de Capacitao.8.604 equipes e 29,6 milhes de pessoas assistidas.(2001-2002)Final de Governo FHC, Jos Serra candidato a Presidente - Barjas Negri no MSEstudos para implantao do PSF em grandes centros; 2 Seminrio Internacional de Sade da Famlia; 2 Encontro Nacional de Plos de Capacitao.15.000 equipes e 50 mihes de pessoas assistidas.(*) Histrico extrado da tese de doutorado Goulart, Flvio A. de Andrade; Experincias em Sade da Famlia: cada caso um caso ? I.2. Origem e Polticas Institucionais Programa Sade da Famlia, criado pelo Ministrio da Sade em 1994 como um programa que iniciou vinculado FUNASA (Fundao Nacional de Sade), junto com o PACS e o PISUS (Programa de Interiorizao do SUS). O PISUS, entretanto, teve vida curta, sendo extinto na mudana de governo que ocorreu em 1994-95. Um segundo momento, iniciado a partir de 1995-1996 foi marcado pela transferncia do programa da FUNASA para a SAS (Secretaria de Assistncia Sade), do Ministrio da Sade, aproximando o programa da rea realmente incumbida nas questes relativas de assistncia sade no mbito do Ministrio da Sade. Controlado pelo Departamento de Ateno Primria Sade, assume ento o papel de formulaes de polticas e estratgias do Ministrio da Sade. Assim, o PSF e o PACS deixam de ser mais um tradicional programa e passam a determinar estratgias de mudana do modelo assistencial em sade. O programa, tem como base (re)afirmar os princpios do SUS como a universalidade, a integralidade e a eqidade, apresentando tambm bases conceituais presentes na "Vigilncia da Sade": (a) planejamento e a programao da oferta de servios a partir do enfoque epidemiolgico; (b) inclui a compreenso dos mltiplos fatores de risco sade; (c) e a possibilidade de interveno sobre os mesmos com estratgias como a promoo da sade. O PSF, advm de experincias que comearam a surgir em vrios municpios brasileiros, que por sua vez viriam a ser reconhecidas como estratgias de fortalecimento da poltica nacional de sade, conforme preconizado na Constituio brasileira e na Lei Orgnica da Sade. O PACS , que iniciou-se em 1990, com repercusso significativa, na regio nordeste, d incio a um ponto forte na estratgia, de concepo do PSF, que estabelece uma ponte entre a comunidade e os servios de sade disponveis no municpio, assim estabelecendo a criao de laos de compromisso e de co-responsabilidade entre os profissionais de sade e a populao (famlia), por intermdio do Agente Comunitrio de Sade (ACS). Essa perspectiva faz com que a famlia vire objeto de ateno, diretamente no ambiente onde vive. Mais que uma delimitao geogrfica, e nesse espao que se constroem as relaes intra e extrafamiliares e onde se desenvolve a luta pela melhoria das condies de vida - permitindo, ainda, uma compreenso ampliada do processo sade/doena e, portanto, da necessidade de intervenes de maior impacto e significao social. Na viso institucional alguns pontos podem ser destacados, como: A articulao entre as universidades e as secretarias de sade para a criao dos Plos de Capacitao em Sade da Famlia (1997); A parceria com a Comunidade Solidria (1998); a abertura de linhas de financiamento junto ao REFORSUS (1998); A realizao de dois Seminrios Internacionais em Sade da Famlia (1998 e 2001); A realizao da I Mostra Nacional de Experincias em Sade da Famlia (1999); O estabelecimento do Pacto da Ateno Bsica, entre Mistrio da Sade, gestores estaduais e municipais (2000), entre outros. I.3. Princpios Bsicos Numa viso geral sobre o programa o principal papel o de contribuir para a reorientao do modelo assistencial a partir da ateno bsica, em conformidade com os princpios do Sistema nico de Sade, imprimindo uma nova dinmica de atuao nas unidades bsicas de sade, com definio de responsabilidades entre os servios de sade e a populao. Procurando uma dimenso maior, para relatar os princpios bsicos, faz-se necessrio obter uma viso especfica do mesmo, so eles: Prestar, na unidade de sade e no domiclio, assistncia integral, contnua, com resolubilidade e boa qualidade s necessidades de sade da populao adscrita; Intervir sobre os fatores de risco aos quais a populao est exposta; Eleger a famlia e o seu espao social como ncleo bsico de abordagem no atendimento a sade; Humanizar as prticas de sade atravs do estabelecimento de um vnculo entre os profissionais de sade e a populao; Proporcionar o estabelecimento de parcerias atravs do desenvolvimento de aes intersetoriais; Contribuir para a democratizao do conhecimento do processo sade/doena, da organizao dos servios e da produo social da sade; Fazer com que a sade seja reconhecida como um direito de cidadania e, portanto, expresso da qualidade de vida, e Estimular a organizao da comunidade para o efetivo exerccio do controle social. I.4. Competncia das Esferas do Governo (a) Ministrio da Sade compete, a formulao geral do programa e a sua coordenao nacional, revendo permanentemente as suas diretrizes e renegociando pactos na Comisso Intergestores Tripartite; Garante fontes de recursos federais para compor o financiamento do programa; regulamentar os mecanismos de cadastramento, incluso e excluso das equipes e profissionais para fins de pagamento de incentivos federais; prestar assessoria tcnica aos estados e municpios no processo de implantao e expanso do programa; articular instituies, em parceria com Secretarias Estaduais e Municipais de Sade, para capacitao e garantia de educao permanente aos profissionais de sade membros das Equipes de Sade da Famlia e promover o intercmbio de experincias, buscando o aperfeioamento e a disseminao de tecnologias e conhecimentos voltados Ateno Primria. (b) Secretarias Estaduais de Sade compete estabelecer, as normas e as diretrizes complementares do programa; prestar assessoria tcnica aos municpios no processo de implantao, ampliao e monitoramento do programa; disponibilizar aos municpios instrumentos tcnicos e pedaggicos para o processo de formao e educao permanente dos membros das equipes e promover o intercmbio de experincias entre os diversos municpios, para disseminar tecnologias e conhecimentos voltados melhoria da Ateno Bsica ou Primria, alm de participar do financiamento, quer seja atravs da participao dos estados no financiamento global da sade, conforme preconiza a lei, quer seja atravs de incentivos estaduais para a Sade da Famlia. (c) Secretarias Municipais de Sade compete a operacionalizao do PSF, inserindo em sua rede de servios, visando a organizao descentralizada do Sistema nico de Sade. Tambm compete aos municpios garantir infra-estrutura necessria ao funcionamento das Unidades de Sade da Famlia, dotando-as de recursos materiais, equipamentos e insumos suficientes para o conjunto de aes preconizadas pelo Programa e selecionar, contratar e remunerar os profissionais que compem as equipes multiprofissionais. I.5. Como Funciona A escolha das reas, sempre, orientada pela existncia de riscos sociais e ambientais e a organizao do trabalho levando em conta o perfil de cada localidade, levantando informaes a partir do cadastramento de cada famlia e seus componentes (sexo, faixa etria, moradia e distribuio espacial; as principais doenas e agravos diagnosticados e as condies que influenciam esses problemas). Atravs da anlise da situao de sade local e de seus determinantes, os profissionais e gestores tero os dados iniciais necessrios para o efetivo planejamento das aes a serem desenvolvidas. O cadastramento possibilitar que, alm das demandas especficas do setor sade, sejam identificados outros determinantes para o desencadeamento de aes das demais reas da gesto municipal, visando contribuir para uma melhor qualidade de vida da populao. A equipe da unidade de Sade da Famlia composta por equipes de multiprofissionais. Um mdico generalista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitrios de sade, recomenda-se que cada equipe seja responsvel por no mximo 3.450 pessoas em mdia. Dependendo das necessidades e possibilidades locais, podem ser incorporados equipe dentistas, assistentes sociais e psiclogos. A unidade de Sade da Famlia dever possuir equipamentos, insumos e medicamentos suficientes para atender s principais demandas neste nvel do sistema de sade, estabelecendo com os demais servios de sade do municpio, uma relao formal que garanta os fluxos de referncia e contra-referncia. Essa estrutura mnina necessria para viabilizao das aes das equipes. Dentro de seu campo de conhecimento e responsabilidades profissionais, cada integrante da equipe contribui para o alcance de metas estabelecidas, incentivando a participao popular e buscando, a articulao intersetorial para o encaminhamento de solues dos problemas relacionados sade. Atribuies do mdico: prestar assistncia integral aos indivduos sob sua responsabilidade; valorizar a relao mdico-paciente e mdico-famlia como parte de um processo teraputico e de confiana; oportunizar os contatos com indivduos sadios ou doentes, visando abordar os aspectos preventivos e de educao sanitria; empenhar-se em manter seus clientes saudveis, quer venham as consultas ou no; executar aes bsicas de vigilncia epidemiolgica e sanitria em sua rea de abrangncia; executar as aes de assistncia nas reas de ateno a criana, ao adolescente, a mulher, ao trabalhador, ao adulto e ao idoso, realizando tambm atendimentos de primeiros cuidados nas urgncias e pequenas cirurgias ambulatoriais, entre outros ; promover a qualidade de vida e contribuir para que o meio ambiente seja mais saudvel; discutir de forma permanente - junto a equipe de trabalho e comunidade - o conceito de cidadania, enfatizando os direitos a sade e as bases legais que os legitimam ; participar do processo de programao e planejamento das aes e da organizao do processo de trabalho das unidades de Sade da Famlia Atribuies do enfermeiro: executar, no nvel de suas competncias, aes de assistncia bsica de vigilncia epidemiolgica e sanitria nas reas de ateno a criana, ao adolescente, a mulher, ao trabalhador e ao idoso; desenvolver aes para capacitao dos ACS e auxiliares de enfermagem, com vistas ao desempenho de suas funes junto ao servio de sade; oportunizar os contatos com indivduos sadios ou doentes, visando promover a sade e abordar os aspectos de educao sanitria; promover a qualidade de vida e contribuir para que o meio ambiente torne-se mais saudvel; discutir de forma permanente, junto a equipe de trabalho e comunidade, o conceito de cidadania, enfatizando os direitos de sade e as bases legais que os legitimam; participar do processo de programao e planejamento das aes e da organizao do processo de trabalho das unidades de Sade da Famlia. Atribuies do auxiliar de enfermagem: desenvolver, com os Agentes Comunitrios de Sade, atividades de identificao das famlias de risco; contribuir, quando solicitado, com o trabalho dos ACS no que se refere as visitas domiciliares; acompanhar as consultas de enfermagem dos indivduos expostos as situaes de risco, visando garantir uma melhor monitoria de suas condies de sade; executar, segundo sua qualificao profissional, os procedimentos de vigilncia sanitria e epidemiolgica nas reas de ateno a criana, a mulher, ao adolescente, ao trabalhador e ao idoso, bem como no controle da tuberculose, hansenase, doenas crnico-degenerativas e infecto-contagiosas; participar da discusso e organizao do processo de trabalho da unidade de sade. Atribuies do Agente Comunitrio de Sade realizar mapeamento de sua rea de atuao; cadastrar e atualizar as famlias de sua rea; identificar indivduos e famlias expostos a situaes de risco; realizar, atravs de visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as famlias sob sua responsabilidade; coletar dados para anlise da situao das famlias acompanhadas; desenvolver aes bsicas de sade nas reas de ateno a criana, a mulher, ao adolescente, ao trabalhador e ao idoso, com nfase na promoo da sade e preveno de doenas; promover educao em sade e mobilizao comunitria, visando uma melhor qualidade de vida mediante aes de saneamento e melhorias do meio ambiente; incentivar a formao dos conselhos locais de sade; orientar as famlias para a utilizao adequada dos servios de sade; informar os demais membros da equipe de sade acerca da dinmica social da comunidade, suas disponibilidades e necessidades; participao no processo de programao e planejamento local das aes relativas ao territrio de abrangncia da unidade de Sade da Famlia, com vistas a superao dos problemas identificados (MINISTRIO DA SADE, 1997). I.6. Implantao A implantao do PSF operacionalizada no municpio, com a co-participao do nvel estadual. O processo possui vrias etapas, no necessariamente seqenciais, ou seja, podem ser realizadas de forma simultnea, de acordo com as diferentes realidades dos sistemas municipais de sade, estas etapas sero descritas, a seguir: Identificar as reas prioritrias para a implantao do programa; Mapear o nmero de habitantes em cada rea; Calcular o nmero de equipes e de agentes comunitrios necessrios; Adequar espaos e equipamentos para a implantao e o funcionamento do programa; Solicitar formalmente Secretaria Estadual de Sade a adeso do municpio ao PSF; Selecionar, contratar e capacitar os profissionais que atuaro no programa (MINISTRIO DA SADE, 1997). II. MOVIMENTOS SOCIAIS II.1. Definio Os movimentos sociais, aplicam conceitos de cidadania. Cidadania, essa definida por Dagnino como um processo onde ocorre a constituio de sujeitos ativos, definido o que eles consideram ser seus direitos e lutando pelo seu reconhecimento. Nesse sentido, ela uma estratgia dos no cidados, dos excludos, uma cidadania de baixo para, ou seja, os direitos de cidadania tendo como centro o Estado e a sua relao com o indivduo (DAGNINO, 1994). Para Lesbaupin, um movimento social toda ao coletiva, com passagem da passividade mobilizao, em que um grupo social ou aliana de vrios grupos sociais (estudantes, moradores de bairro, operrios, etc.), e busca atravs de atividades de massa, conseguir um objetivo na organizao social, defendendo uma situao ameaada ou buscando um bem coletivo(LESBAUPIN, 1998). II.2. Importncia para o Programa Sade da Famlia Os movimentos sociais, tem como papel mediador afim de solicitar do Estado competente e agncias federais o melhoramento dos servios pblicos, assistir seus membros usando recursos disponveis, promover atividades sociais, encaminhar as reivindicaes populares s autoridades competentes do Estado, entre outras. Em relao sade, os movimentos sociais fazem-se ento necessrios, afim de criar uma conscincia sanitria, que alimente-se de prticas vivenciadas na realidade cotidiana, pelos usurios de sade e sua relao cotidiana com a rede dos servios e com os profissionais que nela atuam, fala-se ento de uma construo da cidadania e em participao popular no campo da sade. Considerando que o fenmeno da participao como algo que envolve no mnimo dois elementos em interao, governo-sociedade. O PSF, para o seu sucesso necessita que a sociedade seje mais organizada e mais consciente, no s nos seus segmentos de usurios como em outros segmentos extra-sade, exercercendo um papel influente na estruturao e na sustentabilidade das propostas de PSF. Para a construo gradual do Programa Sade da Famlia, cada comunidade deve ser escolhida cuidadosamente, escolhendo parceiros (movimentos sociais) para o desenvolvimento do programa. Na maioria convnios com ONGs e associaes de moradores com tradio local e confiabilidade. Estabelecendo os seguites planos: aes com nfase na promoo da sade e preveno de doenas; promover educao em sade e mobilizao comunitria, visando uma melhor qualidade de vida mediante aes de saneamento e melhorias do meio ambiente; informar disponibilidades e necessidades da comunidade; participao no processo de programao e planejamento local das aes relativas a superao dos problemas identificados, entre outros pontos. III. AES RELACIONAIS III.1. Mudana do paradigma de Educao em Sade Pblica Para PAIM e ALMEIDA F (2000) pode-se entender a educao como prtica, processo de transformao de um objeto-sujeito num sujeito-produto atravs do trabalho humano de determinados sujeitos-agentes. Faz-se ento necessrio uma nova construo, no modelo de pensar em sade, principalmente para integra-se ao Program Sade da Famlia, onde as aes devero ser orientadas por conjuntos de valores, paradigmas, conhecimento acumulados e anlises da realidade. PAIM e ALMEIDA F (2000) se propem identificar e a discutir, respostas pragmticas que representaria um conjunto de conceitos, teorias e prticas dirigidos para a renovao do conceito de novas prticas de sade pblica. O resultado, segundo o autor citado, deveria ser a discusso da sade e a formulao de propostas em terreno pblico-coletivo-social, de forma a gerar oportunidades para a incorporao do complexo promoo-sade-doena-cuidado, numa perspectiva de poltica pblica saudvel e participao mais efetiva da sociedade nas questes de vida, sade, sofrimento e morte. Montando assim uma nova prtica e novos papis aos profissionais que atuam no PSF, que agora passam para a anlise do ser humano em seu contexto total (poltico-social e cultural) gerando maior ateno vivncia do indivduo, maior ateno s condies sociais da populao, maior ateno problemtica psicolgica de cada um, pelo fato de estarem interagindo intrisecamente, com a comunidade. Atravs dessa, prticas, de novo pensar / olhar em sade, diminui o ento, enorme hiato entre a realidade e a formao dos profissionais da rea. III.2. Aprendizado Contnuo Para a obteno de resultados, a equipe de Sade da Famlia - enfermeiros, auxiliares, mdicos, dentistas, assistentes sociais e outros, necessitam de um processo de capacitao e informao contnuo e eficaz, devido ao dinamismo dos problemas passveis de existirem na comunidade assistida. Fazendo parte do sistema de sade local e atua como uma ponte entre a comunidade e os servios de sade disponveis em seu municpio. Pra isso equipe deve estar sempre construindo uma viso compartilhada, apresentando metas, valores e misses mediantes a rea ou unidade na qual, estiver inserida, afim de estimular o compromisso e o envolvimento e no somente gerar perspectivas individuais (SENGE, 1998 p. 45-46). Esse o contato interpessoal leva aos agentes a identificar problemas que no se restringem sade, ou que dependem de outros setores. Por isso, fundamental a unio dos esforos de toda a sociedade e dos vrios setores da administrao local, num trablho de aprendizado contnuo tanto dos agentes como tambm da comunidade. A consolidao desse processo depende da crescente parceria estabelecida entre os trs nveis de governo e a sociedade. Assim, a presente publicao tem objetivos ousados, haja vista que busca expressar os princpios e diretrizes operacionais de sua proposta - viabilizar mudanas na forma de pensar e fazer sade no Brasil -, permitindo, a partir de sua divulgao, a discusso de suas bases filosficas e conceituais pelos diferentes segmentos da Sociedade e do Estado (Carlos Csar de Albuquerque/Ministro de Estado da Sade, 1997). CONCLUSO Politicagem? Grupos de interesses envolvidos no processo? Nova metodologia do campo de atuao na sade?, so questionamentos esses que ficam. Segundo, a Assessoria de Comunicao Social do Ministrio de Sade, cada consulta de uma equipe de Sade da Famlia evita que estatsticas elevadas sobre certas doenas no Brasil continuem crescendo. Mais que isso: o projeto mostra na prtica que possvel humanizar o atendimento. Quem j foi atendido sabe da eficcia. Doenas so evitadas, diagnsticos so mais rpidos e precisos. Apesar desse quadro totalmente favorvel, faz-se necessrio mudana no modelo mdico atual, deve passar por transformaes, afim de resgatar o valor de sade, construdo no cotidiano da prtica social. As equipes de Sade da Famlia devem incorporada uma lgica de organizao na qual as atribuies e responsabilidades estejam bem definidas, a fim de evitar a perda de confiana por parte da comunidade e evitando nveis e estgios diferenciados em que possam se encontra o desenvolvimento da estratgia Sade da Famlia no pas. Para finalizar importante que se ressalte a questo do acompanhamento e avaliao das equipes, da ateno bsica e do sistema de sade. Tendo em vista, anlise dos registros e acompanhamento dos sistemas de informao pois sero eles os dados gerados para avaliao da situao de sade e do desempenho dos servios, levando ao sucesso do programa que resgata um modelo de medicina humano-social. A operacionalizao do PSF deve ser adequada s diferentes realidades locais, desde que mantidos os seus princpios e diretrizes fundamentais. Para tanto, o impacto favorvel nas condies de sade da populao adscrita deve ser a preocupao bsica dessa estratgia. A humanizao da assistncia e o vnculo de compromisso e de co-responsabilidade estabelecido entre os servios de sade e a populao tornam o Programa Sade da Famlia um projeto de grande potencialidade transformadora do atual modelo assistencial. (MINISTRIO DA SADE, 1997). REFERNCIA BIBLIOGRFICA CARTILHA SADE da Famlia: uma estratgia para a reorientao do modelo assistencial. Ministrio da Sade/1997. Editado e distribudo pela COSAC/SAS/MS. DAGNINO, Evelina. Os Movimentos Sociais e a emergncia de uma nova cidadania. In Anos 90: Poltica e Sociedade no Brasil, Evelina dagnino (org), Ed. Brasiliense, 1994. GOULARTt, Flvio A. de Andrade. Experincias em Sade da Famlia: cada caso um caso ?. Rio de Janeiro: 2002. 387p. : il. Tese (doutorado em Sade Pblica) - Escola Nacional de Sade Pblica, Fundao Oswaldo Cruz, 2002. LESBAUPIN, Ivo. Anotaes estradas do crso ministrado pelo professor Ivo Lesbaupin. Escola de Servio Social/UFRJ, 1998. PAIM, J. S. & ALMEIDA F., Naomar. A Crise da Sade Pblica e a utopia da Sade Coletiva. In:____. Novos Sujeitos, Novos Paradigmas. Casa da Qualidade Editora, 2000. Cap. 5, p.73-103. Sampaio, Lus F. R. & Lima, Pedro G. A. de. Apoio ao Programa de Sade da Famlia. BVS Sade Pblica Brasil e BIREME/OPAS/OMS, 2002. SENGE, Peter M.. 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